Política

Setor produtivo prevê impactos negativos com fim da escala 6x1

10/06/2026

Principais entidades argumentam que a proposta, da forma como foi aprovada na Câmara, vai afetar todos os setores, com risco de aumento de inflação, desemprego e elevação nos custos de produção

As principais entidades do setor produtivo que se pronunciaram publicamente sobre o debate da reducação da jornada de trabalho no Brasil argumentam que a proposta do fim da escala 6x1, da forma como foi aprovada na Câmara dos Deputados, vai trazer impactos negativos relevantes em praticamente todos os setores, com risco de aumento de inflação, desemprego e elevação nos custos de produção.

Diante do avanço do debate após aprovação na Câmara, grande parte das entidades passou a apoiar a PEC 12, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que estabelece horário flexível e negociação direta entre patrões e empregados.

O portal reuniu a seguir o posicionamento público de algumas das principais entidades do setor produtivo sobre este debate.

  • CNI (Confederação Nacional da Indústria) — Entidade classifica a mudança como "Inadequada e inoportuna”. Projeta R$ 88 bilhões de impacto industrial e queda de até 1,9% do PIB. (Portal da Indústria)


  • CNC (Confederação Nacional do Comércio) — Estima alta de 21% nos custos da folha e impacto superior a R$ 70 bilhões/ano no comércio. Posição favorável com ressalvas técnicas à PEC 12, do horário flexível, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). (Fenacon)


  • CNT (Confederação Nacional do Transporte) — Classifica a PEC como "desnecessária", citando que a média nacional já é de 38,4h semanais por negociações coletivas. (Jovem Pan)


  • CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) – Marcelo Bertoni, vice-presidente da entidade do agronegócio, afirma que o fim da escala 6x1 vai gerar inflação nos alimentos. O setor já enfrenta escassez de mão de obra, e a mudança na legislação trabalhista agravaria esse cenário, elevando os custos de produção e, consequentemente, os preços nas prateleiras dos supermercados. (CNN Brasil)


  • FIESP/CIESP (Federação e Centro das Indústrias de SP) — Defende a aprovação da PEC 12, do senador Rogério Marinho, que estabelece o horário flexível, como "avanço expressivo, racional e civilizado". (G1)


  • FIEMG (Federação das Indústrias de Minas Gerais) — Apoia PEC 12. Alerta para impacto de até 16% no PIB e perda de 18 milhões de empregos. (O Tempo)


  • Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) — Presidente da entidade, Paulo Solmucci, alerta que proibir a escala aumentará os custos trabalhistas e elevará os preços dos cardápios em até 10% para o consumidor final. Classifica a PEC da Câmara como "irresponsabilidade sem precedentes". Apoia PEC 12 como alternativa viável. (Veja, Folha de S.Paulo)


  • Acrimat (Associação dos Criadores de Gado do Mato Grosso) — Entidade diz que o fim da escala 6x1 “ignora a complexidade do agronegócio." Estima que a medida atinge 98% dos vínculos formais do setor no estado, com impacto de R$ 1 bilhão/ano no agro de MT. (Acrimat Oficial)


  • CACB (Confederação das Associações Comerciais do Brasil) — Manifesto assinado por mais de 1.200 federações e entregue ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pede transição gradual, negociação coletiva e desoneração da folha. (CACB)


  • CBIC (Câmara Brasileira da Construção Civil) — Custos de mão de obra devem subir até 15% se a 6x1 acabar. Estima necessidade de contratar 288 mil novos trabalhadores. (Folha/Jornal de Brasília)


  • Febrac (Federação de Empresas de Limpeza e Serviços) — Alerta para inviabilização de contratos e risco de demissões em massa no setor. Pede salvaguardas contratuais automáticas. (Tribuna do Norte)


  • Fecomércio-SP — Entidade considera o fim da escala "uma afronta à livre iniciativa”. Critica rigidez da proposta e período de transição insuficiente. (Jovem Pan)


  • Fecomércio-MS — Estima aumento de até 20% nos custos de mão de obra. Alerta para demissões e avanço da informalidade. (Campo Grande News)


  • Fecomércio-GO — Entidade avalia que "simplesmente cortar a jornada vai ser um trauma para a gestão”. Destaca que trabalhador brasileiro produz 20% do que produz um americano. (Jornal Opção)

  • OCB-GO (Organização das Cooperativas Brasileiras em Goiás) — Projeta aumento de até 7% nos custos da folha e 13% nos preços ao consumidor. Defende transição gradual. (Jornal Opção)

  • FCDL-GO (Federação das CDLs de Goiás) — Entidade afirma que "a equação não fecha para micro e pequenas empresas” e alerta para escassez de mão de obra e custos elevados. (Jornal Opção)


  • CDL Campo Grande — Estima alta de até 20% nos custos. Alerta para reflexos em preços, demissões e informalidade no varejo. (Campo Grande News)


  • ACIL (Associação Comercial de Londrina) — Classifica o debate como "eleitoreiro". Defende negociações coletivas setoriais. (GPlay)


  • Facisc (Federação das Assoc. Empresariais de SC) — Alerta para aumento de custos operacionais e redução da competitividade. Defende acordos coletivos. (ND Mais)