Política
Como o fim da escala 6x1 pode afetar o setor agropecuário?
A redução da jornada é vista por representantes do setor agropecuário como medida de alto impacto financeiro e operacional, devido às características biológicas e sazonais da produção no campo
A redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 são vistos por representantes do setor agropecuário como uma medida de alto impacto financeiro e operacional, devido às características biológicas e sazonais da produção no campo.
Os principais efeitos projetados pelas fontes para o setor são:
Aumento de Custos de Produção: Estimativas da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e do Ministério do Trabalho indicam que os custos operacionais do campo podem subir entre 7,8% e 8,6%, percentual considerado superior à média nacional (Agência FPA).
Em Mato Grosso, a Acrimat (Associação dos Criadores de Gado do Mato Grosso) projeta um custo adicional superior a R$ 1 bilhão por ano apenas com o pagamento de horas extras. (Acrimat)
Incompatibilidade com Ciclos Biológicos: Diferente da indústria urbana, o campo lida com seres vivos que não seguem calendários legislativos. No setor de pecuária leiteira, a necessidade de contratar funcionários para cobrir folgas obrigatórias poderia elevar o custo operacional em até 18% (CNN Brasil).
Risco à Janela de Safra: Durante o plantio e a colheita, o ritmo exige jornadas intensas de até 14 horas diárias, sob pena de perda total da produção A rigidez de uma nova escala pode "estrangular o fluxo de caixa" em janelas limitadas pelo clima.
Impacto no Emprego e Informalidade: Projeções do CLP indicam o risco de extinção imediata de cerca de 28 mil postos de trabalho formais no agro brasileiro devido à inviabilidade financeira (ND Mais). No Rio Grande do Sul, estima-se que a mudança afete aproximadamente 106 mil trabalhadores rurais (Correio do Povo).
Repasse ao Consumidor: Líderes do setor afirmam que o aumento do custo trabalhista resultará inevitavelmente em alimentos mais caros na ponta final da cadeia (Congresso em Foco).
Impactos Específicos por Cadeia: Levantamentos apontam incrementos de custo de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões para o setor de etanol, R$ 9 bilhões para proteína suína e avícola, e R$ 2,5 bilhões para cooperativas agroindustriais (Agência FPA).
Por essas razões, as entidades do agro defendem que o tema seja tratado por meio de negociação coletiva ou que existam regras de transição específicas que respeitem a sazonalidade e a compensação de jornadas entre a safra e a entressafra (Agrolink).
